EDUCAÇÃO
ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ
Imagem-mãosemovimento.blogspost.com.br/p/fotos,figuras.html
Reflexões sobre a escolarização de
pessoas com surdez são frequentes, professores, estudiosos, estudantes
oralistas e com surdez reivindicam melhoras nas estratégias de ensino que
favoreçam o desenvolvimento e melhoras no processo educacional. A escola, tem
um papel muito importante na inclusão desses cidadãos na sociedade, mas ainda
falta muito para que estes tenham seus direitos respeitados, pois a
cada dia são submetidos a modelos conservadores que pouco contemplam as
diferenças, as abordagens oralista e comunicação total são presentes em muitas instituições.
Diante de muitas lutas, concepções
diferentes vêm ganhando destaque, como o direito de frequentar a escola comum
assegurado pela política de Educação Especial em Perspectiva da Educação
Inclusiva, o Atendimento Educacional Especializado, e o reconhecimento da
Língua de Sinais como materna. Aos poucos junto a esses direitos adquiridos,
visando capacitar a pessoa com surdez para a utilização de duas línguas
no cotidiano escolar e na vida social, a de
sinais e a da comunidade ouvinte, começa a se fazer presente a abordagem
bilíngue. Esta concepção tem demonstrado corresponder a necessidade dos alunos
com surdez, por respeitar a língua natural e propiciar um ambiente favorável a aprendizagem escolar, porém nos deparamos
com muitas falhas nas práticas pedagógicas.
Segundo Damázio (2007, p. 21):
As práticas
pedagógicas constituem o maior problema na escolarização das pessoas com surdez.
Torna-se urgente, repensar essas práticas para que os alunos com surdez, não
acreditem que suas dificuldades para o domínio da leitura e da escrita são
advindas dos limites que a surdez lhes impõe, mas principalmente pelas
metodologias adotadas para ensiná-los.
Reivindicações tem levado a novas ações,
ações estas, que muitas vezes não são tão positivas, pois muitos apenas ”matriculam estes educandos”
por mero cumprimento da lei, deixando pra trás de fato a inclusão do aluno no meio social, onde ele possa ter a
liberdade de expressão, de absorver e compartilhar conhecimentos. A chegada de pessoas com surdez
na escola regular ainda provoca muita inquietação, a primeira atitude de muitos,
sem mesmo tentar conhecer o educando, é a negação por não saber lidar com a
situação, por não saber Libras,e aí começam as buscas de um intérprete e ou outros profissionais, porém
há pouca inquietação para mudanças nas
práticas pedagógicas.
De acordo com Damázio (2010, p. 8):
...Torna-se urgente repensar a educação escolar dos alunos com surdez,
tirando o foco do confronto do uso desta ou daquela língua e buscar
redimensionar a discussão acerca do fracasso escolar, situando-o no debate
atual acerca da qualidade da educação escolar e das práticas pedagógicas. É
preciso construir um campo de comunicação
e de interação amplos, possibilitando que a língua de sinais e a língua
portuguesa, preferencialmente a escrita, tenham lugares de destaque na
escolarização dos alunos com surdez, mas que não sejam o centro de todo o processo
educacional.
Uma educação
igualitária que vise o reconhecimento e valorização das diferenças, que
beneficie tanto quem tem uma necessidade específica como também quem não tem,
requer melhoras nas metodologias de ensino. Fazer a verdadeira inclusão de
pessoas com surdez acontecer vai além de
se pensar apenas em pequenas adaptações, o fazer é bem mais intenso, não é só
com um interprete, um aluno e ou um professor dominando a língua de sinais. É
importante que este ambiente veja e respeite este aluno na sua singularidade ofertando
práticas pedagógicas de qualidade, refletindo a desconstrução de modelos
cultural social.
REFERÊNCIAS:
DAMÁZIO,
Mirlene F. M. Tendências Subjacentes à
Educação das Pessoas com Surdez. In:
Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com surdez. Curitiba: CROMOS,
2007. p. 19-21.
DAMÁZIO, Mirlene F. M., ALVES, Carla B. e
FERREIRA, Josimário de P. Educação
Escolar de Pessoas com Surdez In AEE:
Fascículo 04: Abordagem Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.
p.07-09.
KOSLOWSKI,
L. A Proposta bilíngüe de educação do
surdo. Revista Espaço. Rio de
Janeiro: INES, nº10, p.47-53, dezembro, 1998.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação
Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e
Avanços Contemporâneos. In:
II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília.
Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005.
p.108 – 121.
DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar
de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção.
Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.
DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do
aluno com surdez. Capítulo 4. São Paulo: Moderna, 2010.
